A incidência é cerca de 1% da população, normalmente inicia-se antes dos 25 anos de idade, persiste por toda a vida e afeta pessoas de todas as classes sociais. Esta doença é igualmente prevalente em homens e mulheres. Ambos os sexos diferem, no entanto, quanto ao início e ao curso da doença. O início é mais precoce entre homens. As idades de pico do início dos sintomas são entre 10 e 25 anos para os homens e entre 25 e 35 anos para as mulheres, sendo que estas geralmente apresentam uma melhor evolução do quadro. O risco de suicídio é uma das principais causas de mortalidade entre os esquizofrênicos e o abuso de drogas lícitas e ilícitas é freqüente. A causa da doença ainda é desconhecida, porém sabemos que existe um forte componente hereditário, já que filho de um pai ou mãe esquizofrênica teria uma chance 10 vezes maior de desenvolver a doença.
O diagnóstico é clínico, já que não existe nenhum exame que comprove a doença. Para que o diagnóstico possa ser feito, o paciente precisa apresentar no mínimo 2 (dois) dos seguintes sintomas característicos (ou psicóticos), cada qual presente por uma porção significativa de tempo durante um período de 1 (um) mês (ou menos se tratados com sucesso): delírios (que são falsas crenças, sendo o tipo mais comum o persecutório, onde o paciente acredita estar sendo vigiado ou perseguido), alucinações (sendo a auditiva a mais comum) . Neste caso o paciente ouve vozes que só ele consegue escutar, discurso desorganizado, comportamento desorganizado e sintomas negativos (que consiste em importante isolamento social, falta de vontade em realizar atividades). Por ser uma doença de tratamento complexo, geralmente ocorrem perdas em relação a trabalho, relações interpessoais ou cuidados pessoais.
O curso clássico da Esquizofrenia é de exacerbações e remissões. Após o primeiro episódio da doença, o paciente se recupera de forma gradual e funciona de modo relativamente normal por um longo tempo. As recaídas são comuns, e o padrão da doença durante os primeiros cinco anos após o diagnóstico costuma indicar o prognóstico do paciente. A deterioração do funcionamento de linha de base é cada vez maior após cada recaída dos sintomas psicóticos. Os delírios e alucinações tendem a se tornar menos grave com o tempo, mas o isolamento social pode aumentar em intensidade, sendo que a maioria dos pacientes tem suas vidas caracterizadas por falta de objetivos, ociosidade, hospitalizações freqüentes.
O tratamento medicamentoso deverá ser para o resto da vida e são usadas drogas antipsicóticas (que atuam principalmente nos neurotransmissores, dopamina e serotonina), além de terapia ocupacional e apoio psicológico aos familiares. Os atendimentos do pacientes que sofrem de Esquizofrenia ou qualquer outro transtorno mental, é realizado pelo convênio IRMAM no Espaço Bem Viver, onde podemos contar com uma equipe multidisciplinar (Médico Psiquiatra, Psicóloga e Terapeuta Ocupacional), sendo o principal objetivo diminuir o sofrimento do paciente e de seus familiares, evitar internações e com isso melhorar sua qualidade de vida.
Dra. Juliana Souto Grando
Especialista em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo


